São oito da noite, lá fora paira uma bruma escura, mas, sinceramente, para mim tudo se assemelha ao mesmo desde que tu partiste.
Corro em direcção a nada, para qualquer lado que me vire este nevoeiro abraça-me, recordando-me de ti.
Nas suas sombras, avisto-te, corro mas tu afastas-te e riste-te como se um jogo da apanhada se tratasse.
Eu chamo-te e a cada risada tua, ganho forças para correr cada vez mais.
Deparo-me num beco sem saída, há minha frente está um grande muro, ouço a tua risada, e escalo-o tão depressa que se poderia pensar que eu não era mais que ar.
O muro cresce e eu, por fim, alcanço o topo e volto a chamar-te, cada vez mais alto, até o ar dos meus pulmões se esvaziar.
Ofegante, paro, e só escuto as tuas risadas cada vez mais apagadas.
Atiro-me do muro, em direcção ao abismo, certa de que me irias resgatar, mas nada, começo de novo a minha busca de ti.
As tuas gargalhadas são substituídas pelo vazio, olho em redor e dou por mim sozinha e a chorar.
Vejo-te de novo, corro para o teu abraço já tão moldado para mim, tu agarras-me e dizes que está tudo bem, que vamos ficar assim para sempre.
Os teus lábios encontram os meus, e sussurras amo-te junto da minha orelha, em seguida, desapareces, desta vez para nunca mais te encontrar.
a ultima parte mata-me tanto!
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